A Flexibilidade do Bambu Chinês

A virtude brilha de dentro para fora, tocando fundo tudo o que encontra – as células, o corpo, o meio ambiente, o planeta. Preenche o que está vazio, cura o que está doente, acomoda o que perturba…

Raízes bem cuidadas produzem galhos fortes e resistentes, capazes de suportar qualquer vendaval. É o que acontece com o bambu chinês, que tem um cultivo totalmente diferente: No primeiro ano do plantio, a semente deve ser regada permanentemente com todo o cuidado. Se faltar água, ela morre antes de florescer.

Mas apesar de todo esse cuidado, nada acontece no primeiro ano após o plantio, a semente permanece escondida debaixo da terra. No segundo ano do plantio, o mesmo cuidado precisa ser mantido, mas mesmo assim nada do bambu romper a terra e começar a crescer. No terceiro ano, nenhum sinalzinho de vida e no quarto ano menos ainda.

Finalmente, no quinto ano, depois de todos os cuidados, o bambu chinês começa a crescer. E não cresce pouco, em seis semanas é capaz de atingir a altura de 30 metros! Mas enganado está quem pensa que ele atingiu 30 metros em apenas seis semanas. Na verdade, eles cresceu durante cinco anos, foi o tempo que precisou para fortalecer as suas raízes para fazer bonito depois do lado de fora.

Se o bambu não fosse bem cuidado durante os 5 primeiros anos do cultivo, ele certamente não teria a força e a beleza que tem. Quer dizer, ele precisou desenvolver uma raiz forte, precisou de uma base bem sólida, para enfrentar com sucesso as tempestades da vida.

O escritor americano Stephen Covey escreveu:

Muitas coisas na vida pessoal e profissional são iguais ao bambu chinês. Você trabalha, investe tempo, esforço, faz tudo o que pode para nutrir seu crescimento e, às vezes, não vê nada acontecer por semanas, meses ou anos. Mas, se tiver paciência para continuar trabalhando, persistindo e nutrindo, o seu quinto ano chegará, e com ele virão as mudanças que você jamais esperava.

O bambu chinês nos ensina que é preciso muita fibra para chegar às alturas e, ao mesmo tempo, muita flexibilidade para se curvar ao chão, como o bambu chinês faz toda vez que é surpreendido por uma tempestade. Ele não se apavora diante da força do vento, se curva, acompanha o movimento do vento e só depois que o perigo passa, retoma a sua altivez.

A história do bambu chinês deve nos levar a um questionamento permanente:

Quais são as raízes que sustentam a experiência que cria a realidade que estamos experimentando?

Quais são as crenças responsáveis pelos frutos que estamos colhendo?

Estamos conscientes da qualidade das nossas raízes, assumindo responsabilidade sobre elas?

O que pode e precisa ser mudado no mais profundo do nosso coração para garantir o florescimento de galhos, folhas e frutos saudáveis?

O silêncio é a porta que nos conduz à descoberta de que somos muito mais do que os espelhos nos revelam. Ainda pouco praticada no Ocidente, a meditação é o caminho mais seguro para a nutrição e o fortalecimento de nossas raízes, condições indispensáveis para um florescimento saudável, harmonioso e feliz.

Nas palavras de Osho, o mais irreverente dos mestres indianos, a meditação é uma maneira de ir para dentro de si mesmo, de perceber que você não é o corpo e você não é a mente. É muito mais que isso. Uma vez que você tenha encontrado a sua essência, o seu centro, você terá encontrado tanto suas raízes quanto suas asas:

Quando você sente a existência cara a cara – sem nenhum mediador – você prova alguma coisa que o transforma, que o torna iluminado, desperto, que o leva ao ápice da consciência. Maior realização não há. Maior contentamento não há. Relaxamento mais profundo não há. Você chegou em casa!

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