Tome cuidado com o vazio de uma vida ocupada demais

Meditatie 2

O filósofo que dizia que nada sabia, mas que na verdade sabia de tudo.

Quanto mais uma pessoa tem coisas para fazer, mais  vazio ela sente dentro de si. O movimento frenético  do lado de fora, indica que algo não anda bem do lado de dentro.

A pessoa que se movimenta demais, que pensa demais, que fala demais e vive rodeada de gente, está  na verdade tentando fugir dela mesma, ela teme a  sua própria companhia, não sabe o que fazer com o seu vazio interno.

Você viu o que aconteceu, ano passado. quando o Brasil se viu sem   WhatsApp…  Bastou um dia de ausência para que uma população inteira chegasse ao desespero, sentindo-se inútil, completamente órfã. Nos olhares aflitos

que miravam incrédulos o aplicativo desligado, notava-se  nitidamente o sofrimento de quem, de repente, foi  lançado num imenso vazio existencial.

O que faço comigo agora? Como encarar o desconhecido  que existe dentro de mim? Como saciar uma mente ávida  que está viciada em superficialidades?

E quanto mais uma pessoa foge dela mesma, mais espaço  vazio vai criando dentro de si, mais distante vai ficando da sua essência divina. É nesse contexto que surge a tristeza, a depressão.

Se nos distanciamos de nós mesmos, da nossa essência  divina, evidentemente nos distanciamos de Deus. Passamos então a perambular pela vida, mendigando afeto e atenção e nos contentando com os brinquedinhos do mundo material.

Somos seres espirituais passando por uma experiência material, é evidente que o tempo dedicado ao espírito precisa ser maior do que o dedicado às coisas do mundo  material. A alma necessita de atenção e cuidados tanto quanto o corpo…

O silêncio é o alimento da alma… E por que tantos fogem do silêncio? Porque ele nos leva ao encontro de nós mesmos. Como a maioria não se conhece, teme esse encontro.

Uma vida ocupada demais traz como consequência natural o vazio existencial e muito sofrimento. O bom da história é que temos a todo instante a liberdade de escolher entre uma vida vazia, voltada para o superficial e o efêmero, e uma vida profunda, preenchida de amor e paz.

 

Sem Deus somos crianças perdidas, passamos a nos comportar igual a multidão quando se encontra sem Wi-fi , sem face, sem  o WhatsApp…

Esse pode ser um bom momento pra refletirmos o que realmente é importante!

Alfabetização Emocional

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Quando escolhi escrever sobre alfabetização emocional, me lembrei de uma frase que mamãe, com toda sua simplicidade mineira, falava quando eu era ainda uma menina: “Sofrimento faz parte da vida. E tem gente que tem queda pra sofrer e sofre em demasia.” Naquela época eu ficava pensando o que seria “demasia”.

O tempo passou e ainda tenho gravado no meu áudio interno essa expressão: Tem gente que tem queda pra sofrer…  O que faz com que uma pessoa experimente grande sofrimento em uma situação e outra consiga “tirar de letra” em contextos semelhantes?  Hoje, na área que escolhi para trabalhar, a do comportamento humano, percebo o quanto nós desconhecemos nossa estrutura emocional e, em conseqüência disso, o quanto nos tornamos reféns de nossos próprios sentimentos.

Existem dois grupos de pessoas: um que sabe gerenciar suas emoções, dotado de inteligência emocional, e outro que ainda não se alfabetizou. Na maioria das vezes não sabemos identificar e lidar com as emoções e aí sofremos “em demasia”. Sem necessidade, diga-se de passagem.

Alfabetização emocional significa identificar e reconhecer as emoções, entender que elas são aliadas e não inimigas. Elas são como um alarme sinalizando que algo não está bem e é necessário ficar atento e fazer algumas mudanças. Algumas pessoas tratam a questão de forma simplista demais, ignorando, reprimindo as emoções e não permitindo que elas se expressem. E aquelas emoções que são sufocadas e não expressas, certamente ficam reprimidas em nosso corpo físico, ocupando espaço e criando desconforto.

Outras pessoas dão um valor sobrenatural às emoções, têm uma urgência de rotulá-las como se fossem doenças que precisam ser tratadas com urgência, não as percebendo como algo positivo.

Ao reprimir ou neutralizar, resistindo experimentar as emoções, estamos prejudicando nossa saúde e às vezes de forma irreversível.

A diferença entre a pessoa que tem Quociente Emocional alto e uma pessoa que é desprovida dele, é que uma age de forma inteligente, com mais maturidade diante das situações e maior competência social, enquanto a outra, emocionalmente analfabeta, se desestrutura com facilidade nas mais simples situações.

É importante entender que Felicidade e sofrimento temperam a nossa estadia terrena e nos permitem entrar no fluxo da vida, nos altos e baixos, exercitando nossa força interna. Como se diz os antigos, se não passar pela quentura da panela o milho não vira pipoca. É importante entender que todas emoções são importantes e necessárias à nossa evolução.

Não se trata de evitá-las, mas sim saber tirar delas o melhor aprendizado. Quanto mais nos alfabetizamos emocionalmente, mais depressa vamos desenvolver a confiança na nossa capacidade para lidar com os momentos desafiadores que exigem de nós uma competência extra.

Esse é o grande aprendizado que a maturidade nos traz: o sofrimento será sempre proporcional à nossa inteligência emocional. Quanto mais intimidade temos com as nossas emoções, quanto mais aceitamos a vida como ela nos chega, mais desfrutaremos da grande aventura que é viver.

A Programação Neurolinguística nos ensina a reconhecer as emoções no lugar de resistir a elas. Ficar em estado de alerta, como observadores desse estado, conscientes, com naturalidade para viver a diversidade de experiências que a vida nos proporciona. Assim passamos a ter uma compreensão maior da nossa existência.

O monge Zen japonês Shunryu Suzuki (1904-1971), descendente espiritual direto de Dogen, o grande mestre Zen do século XII, resumiu a origem do sofrimento humano em uma única frase: “Toda dor vem do desejo de não sentirmos dor.”

A dor tem, portanto, uma causa raiz no apego às situações conhecidas e a resistência ao novo. Então a dica é: torne-se receptivo, fique consciente dos seus pensamentos e do efeito deles no seu corpo, nas suas relações e na sua vida. Procure transformá-los em pensamentos de compaixão, respeito para com você e com todos os seres vivos do planeta.

Flua com a vida, faça como o rio, que prossegue mansamente o seu caminho, sem oferecer nenhuma resistência. Tudo que encontra pela frente, seja lá qual for o obstáculo, o rio simplesmente o contorna e segue… Por andar assim, tão em harmonia com a natureza, sem nenhum apego ou resistência, o rio alcança o oceano, a sua grande meta.

No budismo tibetano há uma prática chamada Tonglen que consiste em exercitar os encargos da vida sem se sentir sobrecarregado. Como? Aceitando tudo que chega com alegria e oportunidade de crescimento, perdoando a si mesmo e aos outros quantas vezes forem necessárias, vivendo e deixando os outros viverem do jeito que são.

Lao Tsé, o grande sábio chinês, autor do Tao Te Ching, uma das obras fundamentais do Taoísmo, ensinava: “Quando você aceita a si mesmo, o mundo inteiro o aceita e o acolhe”. O segredo não é brigar com a vida, mas aceitá-la e ser feliz em demasia…